terça-feira, 2 de junho de 2015

Romãs, amigues e missões

 A minha mania de curar com romã a dor de garganta própria e alheia foi notada pelo Pedro Castro Maia dia desses.

No meio do meu caminho sempre tem romãzeiras. Vira e mexe lá vou eu colher romã quando tem, e se não tem vai galhinho, com ou sem flor...

Outro dia interrompi a caminhada à escola do Pedro pra colher um galhinho ao amigo irmão André. Contei pro meu companheiro de passeio a quem se destinaria aquele remédio. Ele: "O que aprendemos neste episódio? Que amigos precisam de romã!"

E completou: "Seu objetivo na vida é levar romã pros amigos, mamãe! E o meu é irritar a Yanni. E fazer gol."







sexta-feira, 1 de maio de 2015

Por que não flor?

- Mamãe, por que trabalho chama trabalho?
- Boa pergunta, Nani... - respondo após alguns segundos de boca aberta.
- Não podia chamar flor? Ou janela? Ou gelatina...
- É verdade! Aí eu ia dizer: já tô indo florir. Vou lá pra minha flor... Gostei!
- É... Ou ia dizer: vou janelar hoje! Ou: tô indo gelatinar! Fui!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Febre musical


Pedalada domingueira, Maia e Pedro na frente, eu e Nani atrás. Ao lado, passa um carro cujo dono certamente tem deficiência auditiva, visto o pancadão a todo volume, estremecendo o ar bem além do que a física acústica pode explicar. Faço um comentário maledicente e continuo pedalando. 

Alguns minutos depois, estranhando o silêncio da minha companheira de bike, pergunto: "Tudo bem por aí, Nani?"
Silêncio.
Olho pra trás e vejo uma carinha muito séria.
Insisto: "O que foi, Nani? Tá se sentindo mal?"
Depois de alguns instantes, vem a resposta: "Não tô nada bem, mamãe. Aquela música horrível me deixou com febre."
A gargalhada é imediata, ao que ela retruca, muito ofendida: "Não tem graça, mamãe!"

terça-feira, 17 de junho de 2014

Meus poetinhas

Que delícia ouvir uma declaração dessas, em plena terça-feira...

Pedro: Quem me navega é o mar-mamãe.

Yanni: Nada a ver, Pedro. É "Mamãe, quem me navega o coração".

segunda-feira, 3 de março de 2014

Diante de ti, mar
desse azul afora
além

da minha pequena e imensa
dura e mansa casca
abro-me janelas

ventos me percorrem por dentro
tornada sal areia

e um canto findo e fundo
nascente dessa dor que me inunda
serena minhas arestas
e me aceita ondeada
ocarina

O mistério da fonte



A fonte foi meu primeiro amor de pertinho. Quando não tinha cachoeira, bora lá pra fonte, correr em volta dela, receber-lhe gotinhas refrescantes, contemplar arco-íris e passarinhos se banhando nela.

A fonte é minha e de quem quiser. Seu véu desce dançando pelo ar generoso de belezura e, cheia de graça, ela se dá ao olhar, que se acostuma fácil a essa dádiva diária. Pedroca e Nani herdaram meu amor e o cultivam com a mesma dedicação.
Mas o amor é também exigente. E quando a fonte se esconde, tímida, jururu, pra onde ela vai? Sem seu véu, que é da fonte? Pra onde dirigir o olhar mal acostumado pela belezura?
Segundo a Nani, não dá pra encarar: a fonte tá pelada! E não é a primeira vez, ontem também ela tava assim. Desse jeito não dá, vou reclamar pro homem, coitada da fonte! - diz a pequena, o olhar carente de fonte.

O meu destino, o meu destino é ser um bosque
com muita flor muito cipó que nos enrosque
(Décio Marques, Segredos vegetais)