Nossa Lady Filó se despediu hoje.
Nasceu em casa, nossa casa pequenina de grandes olhos abertos para a serra de Paraty.
Fizemos seu parto, ajudando sua mãe, Maruí (a Maroca), a dar à luz 6 lindos gatinhos: 4 com traços de siamês (algum antepassado ilustre da nossa vira-latinha tricolor?) e 2 cinzas, puxados ao pai, o sr. Cara-de-Cavalo, como apelidamos o mandrião que pulava na nossa varanda pra fazer serenata à Maroca.
Fiquei feliz, pois queria muito uma pratinha, que logo se mostrou arisca, medrosa e temperamental. Essa foi a razão por a escolhermos para ficar em casa, enquanto arranjamos dono para o irmãozinho cinza, que batizamos de Fedegoso. Filomena e Fedegoso, inspiração da canção de Jackson do Pandeiro que ouvíamos na voz do Xangai.
Companheira, veio com a gente na saga de mudança do cantinho regado de mar à metrópole de pedra. Em 15 anos de convivência foi se tornando mais mansa, mas sempre desconfiada. Seletiva, dava confiança a poucos. Fomos uns desses poucos contemplados com seu miadinho rouco pedindo atenção.
Vamos sentir muitas saudades, Filó, Filomena, Filósofa... Amamos você.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Palavras em flor

Você entrou em minha vida, sol radiante em uma tarde de inverno, enchendo a casa de risos, lágrimas, sustos, alegrias. Teimosias engraçadas, coragens admiráveis.
Já vivemos muitas coisas juntas. Tantos passeios, brincadeiras, conversas, machucados, brigas encerradas com abraços, beijos, carinhos. Histórias, estórias, canções, cirandas que me foram moldando a carapaça de siri e arredondando as arestas, que hoje cantam e dançam com mais harmonia.
Ao longo desses seis anos, você mudou, mas continua a mesma: aberta à vida, às pessoas, alma cheia de alegria e coragem que me inspira sempre a ver o mundo com olhos de beleza. É a alegria que te acompanha hoje, no seu primeiro dia no primeiro ano. Dia tão ansiado, de aprender a ler, a escrever... Caminhar sozinha pelo mundo das palavras. Que seja um caminho feliz e belo, em que você possa cantar, dançar, pular, sonhar e ora ou outra parar pra contemplar, cheirar e colher as flores que tanto ama. Essas pequenas obras de arte que, desde tão pequena, você distribui, espalhando perfume e vida a todos ao seu redor. Segue na mais pura macieza, meu amor, minha pequena grande Yanni.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
11º Dia de Reis
Pedro, meu querido, há 11 Dias de Reis estávamos eu e seu pai esperando você. Era o fim de uma espera de quase 9 meses, muito intensos. Nosso primeiro filho. Quantas dúvidas, medos, incertezas... Mas quanta alegria, a cada descoberta. A primeira vez que te vi no ultrassom, um serzinho de 3 meses e alguns milímetros que me pareceu uma vírgula (olha o que ser revisora de textos faz com a gente, meu filho!). A primeira movimentação sentida: parecia uma formiguinha fazendo cócegas na minha barriga por dentro - que engraçado, que esquisito, que gostoso! Meu filho.
No dia em que você nasceu, que emoção te ver, tão pequenino mas já tão cheio de vida, cheirando o mundo com os olhos fechados. Mas você logo abriu os olhos, e depois começou a balbuciar os primeiros sons, falar as primeiras palavras, soltar as primeiras gracinhas e birras, engatinhar, andar, correr... E conversar, poetizar, filosofar. Como você viaja no mundo da imaginação! E nos dá a mão para viajarmos juntos...
"Pedro: – Mamãe! Eu chamei o Antonio assim: Antooonio! Antooooonio! – bem alto, mas ele não me viu. Acho que eu tô invisível!
– Eu: Claro, Pedro, você esqueceu que comeu gelatina? Ela te deixou assim, invisível.
– Pedro: – Hããã! Então eu tenho que comer alguma coisa pra ficar desinvisível... (pensativo.)"
Lembra disso, meu filho? Você tinha 4 anos! Pois é, essa e tantas outras belezuras de criança cheia de imaginação e poesia viraram palavra escrita, que transbordou as anotações no papel pra alimentar um blog. E elas fizeram renascer em mim um amor que há muito tempo abandonado: escrever, escrever de verdade, com alma.
"Assistindo à Viagem de Chihiro, o Pedro comenta:
- Puxa, mamãe, esse personagem no início era bonzinho, agora tá fazendo um monte de maldade. E essa bruxa, que parecia tão má, até que não é não...
Depois de um tempo:
- Mamãe, você é do bem?
Eu, na cara de pau:
- Claro, Pedro!
Aí ele retruca:
- Não é não... Às vezes você é do mal... Eu também sou às vezes do mal, às vezes do bem... Todo mundo é assim, né, mamãe?"
Essa foi uma conversa recente, uma das tantas que temos, todos os dias desses últimos 11 anos em que tenho a alegria e a honra de ser sua mãe, e aprender com você a ser mais criança e mais adulta, mais feliz sem medo de ser triste, acertar sem medo de errar (ou errar sem medo de acertar) - ser, enfim, uma pessoa, plena, inteira.
Te amo muito, meu filho! Parabéns, seja sempre você.
No dia em que você nasceu, que emoção te ver, tão pequenino mas já tão cheio de vida, cheirando o mundo com os olhos fechados. Mas você logo abriu os olhos, e depois começou a balbuciar os primeiros sons, falar as primeiras palavras, soltar as primeiras gracinhas e birras, engatinhar, andar, correr... E conversar, poetizar, filosofar. Como você viaja no mundo da imaginação! E nos dá a mão para viajarmos juntos...
"Pedro: – Mamãe! Eu chamei o Antonio assim: Antooonio! Antooooonio! – bem alto, mas ele não me viu. Acho que eu tô invisível!
– Eu: Claro, Pedro, você esqueceu que comeu gelatina? Ela te deixou assim, invisível.
– Pedro: – Hããã! Então eu tenho que comer alguma coisa pra ficar desinvisível... (pensativo.)"
Lembra disso, meu filho? Você tinha 4 anos! Pois é, essa e tantas outras belezuras de criança cheia de imaginação e poesia viraram palavra escrita, que transbordou as anotações no papel pra alimentar um blog. E elas fizeram renascer em mim um amor que há muito tempo abandonado: escrever, escrever de verdade, com alma.
"Assistindo à Viagem de Chihiro, o Pedro comenta:
- Puxa, mamãe, esse personagem no início era bonzinho, agora tá fazendo um monte de maldade. E essa bruxa, que parecia tão má, até que não é não...
Depois de um tempo:
- Mamãe, você é do bem?
Eu, na cara de pau:
- Claro, Pedro!
Aí ele retruca:
- Não é não... Às vezes você é do mal... Eu também sou às vezes do mal, às vezes do bem... Todo mundo é assim, né, mamãe?"
Essa foi uma conversa recente, uma das tantas que temos, todos os dias desses últimos 11 anos em que tenho a alegria e a honra de ser sua mãe, e aprender com você a ser mais criança e mais adulta, mais feliz sem medo de ser triste, acertar sem medo de errar (ou errar sem medo de acertar) - ser, enfim, uma pessoa, plena, inteira.
Te amo muito, meu filho! Parabéns, seja sempre você.
domingo, 22 de novembro de 2015
"Antes de tudo sentir e ver. E quando em vez de ver se passa a olhar, acendem-se luzes raras e tudo adquire voz. Assim, descobri, de repente, num segundo fulgurante, que existe uma Dança das Árvores. Não são todas as que conhecem o segredo de bailar no vento. Mas as que possuem tal graça organizam rondas de folhas rápidas, de ramas, de brotos, em torno de seu próprio tronco estremecido. E é todo um ritmo que se cria nas frondes; ritmo ascendente e inquieto, com encrespamentos e retornos de ondas, com pausas brancas, respiros, vencimentos, que se alvoroçam e viram torvelinho, de repente, numa música prodigiosa do verde. Não há nada mais bonito que a dança de um maciço de bambus na brisa. Nenhuma coreografia humana tem a eurritimia de uma rama que se desenha sobre o céu. Chego a me perguntar às vezes se as formas superiores da emoção estética não consistiriam, simplesmente, num supremo entendimento do criado. Um dia, os homens descobrirão um alfabeto nos olhos das caledônias, nos veludos pardos da falena, e então se saberá com assombro que cada caracol manchado era, desde sempre, um poema."
Alejo Carpentier, Os passos perdidos.
Alejo Carpentier, Os passos perdidos.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Assistindo à Viagem de Chihiro, o Pedro comenta:
- Puxa, mamãe, esse personagem no início era bonzinho, agora tá fazendo um monte de maldade. E essa Bruxa, que parecia tão má, até que não é não...
Depois de um tempo:
- Mamãe, você é do bem?
Eu, na cara de pau:
- Claro, Pedro!
Aí ele retruca:
- Não é não... Às vezes você é do mal... Eu também sou às vezes do mal, às vezes do bem... Todo mundo é assim, né, mamãe?
- Puxa, mamãe, esse personagem no início era bonzinho, agora tá fazendo um monte de maldade. E essa Bruxa, que parecia tão má, até que não é não...
Depois de um tempo:
- Mamãe, você é do bem?
Eu, na cara de pau:
- Claro, Pedro!
Aí ele retruca:
- Não é não... Às vezes você é do mal... Eu também sou às vezes do mal, às vezes do bem... Todo mundo é assim, né, mamãe?
terça-feira, 2 de junho de 2015
Romãs, amigues e missões
A minha mania de curar com romã a dor de garganta própria e alheia foi notada pelo Pedro Castro Maia dia desses.
No meio do meu caminho sempre tem romãzeiras. Vira e mexe lá vou eu colher romã quando tem, e se não tem vai galhinho, com ou sem flor...Outro dia interrompi a caminhada à escola do Pedro pra colher um galhinho ao amigo irmão André. Contei pro meu companheiro de passeio a quem se destinaria aquele remédio. Ele: "O que aprendemos neste episódio? Que amigos precisam de romã!"
E completou: "Seu objetivo na vida é levar romã pros amigos, mamãe! E o meu é irritar a Yanni. E fazer gol."
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Por que não flor?
- Mamãe, por que trabalho chama trabalho?
- Boa pergunta, Nani... - respondo após alguns segundos de boca aberta.
- Não podia chamar flor? Ou janela? Ou gelatina...
- É verdade! Aí eu ia dizer: já tô indo florir. Vou lá pra minha flor... Gostei!
- É... Ou ia dizer: vou janelar hoje! Ou: tô indo gelatinar! Fui!
- Boa pergunta, Nani... - respondo após alguns segundos de boca aberta.
- Não podia chamar flor? Ou janela? Ou gelatina...
- É verdade! Aí eu ia dizer: já tô indo florir. Vou lá pra minha flor... Gostei!
- É... Ou ia dizer: vou janelar hoje! Ou: tô indo gelatinar! Fui!
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