caracteres sem espaço disputam aos berros
seu espaço entre 80 disparos
palavras fantasmagóricas me apavoram
e a alma que late
e não morde
morre aos espasmos
claustrofóbica
no ciberespaço
segunda-feira, 8 de abril de 2019
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Aragem
versar - do lat. uersus
abrir sulcos na carne
da terra
arejar a matéria escura
amaciar com saliva
nãos encalacrados
entre os nós dos dedos
ossos do ofício
dentre os orifícios da máscara
que sufoca mas não
cala
verter silêncio em grito
versar gemido em canto
abrir sulcos na carne
da terra
arejar a matéria escura
amaciar com saliva
nãos encalacrados
entre os nós dos dedos
ossos do ofício
dentre os orifícios da máscara
que sufoca mas não
cala
verter silêncio em grito
versar gemido em canto

domingo, 18 de novembro de 2018
rios são estrias à flor da terra
como são as nossas
à flor da pele
oculta sob o tecido,
algodão ou asfalto
nossas curvas estriadas
não se calçam em retas
canalizadas
transbordam as marginais
abrigo de répteis e anfíbios
guardiões da outra vida
aquela terceira
margem plantada na travessia
entre as matas ciliares
e colhida apenas no instante da modorra
ao sono da razão
quando sonham os lagartos
e surgem os sacis e as iaras
Consciência negra
Devemos a eles e elas: a cor da pele, o remelexo dos quadris, o tom da música, a ginga na luta, o trabalho agrário, a artesania, a resistência poética. A invenção de uma cultura mestiça forjada no caldeirão de povos desenraizados com extrema violência em nome da cobiça e desumanidade de apenas um, colonizador, autodenominado único civilizado. Mas de quanto estupro, assassinato, pilhagem, ignorância e barbárie é feita a "civilidade" europeia, branca?
Em tempos de esquecimento, não esquecemos. Consciência negra sim. Somos todos filhos e filhas da Mama África.
Tela: Maria Auxiliadora, Capoeira, 1970.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
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