quarta-feira, 3 de julho de 2019

A mulher esqueleto

"A busca moderna pela máquina do movimento perpétuo equivale à busca de uma máquina de amor perpétuo. Não surpreende que as pessoas que tentam amar fiquem confusas e atormentadas e que, como na história dos sapatinhos vermelhos de Hans Christian Andersen, dancem loucamente, incapazes de parar com a agitação frenética, e passem rodopiando direto pelas coisas que, no fundo do coração, elas mais prezam." (Clarissa Pínkola Estés, Mulheres que correm com os lobos - A mulher esqueleto)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Correndo com os lobos


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"Com medo ou não, é um ato de profundo amor o de se permitir ser perturbado pela alma primitiva dos outros. Num mundo em que os seres humanos têm tanto medo da 'perda', existe um excesso de muralhas protetoras contra o mergulho na numinosidade de outra alma humana."
(Clarissa Pínkola Estés, Mulheres que correm com os lobos)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Canção (Cecília Meireles)

Não te fies do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...

In Retrato natural

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Crisálida

Pupa meu corpo alma se cobre de fios tecidos na saliva de palavras inauditas Imagens me habitam há tanto séculos segundos milênios. Advindas da terra que forma meus ossos? da água ferrosa que corre nas veias? do fogo que a faz bombear pelo corpo no ritmo do tambor central? do ar que me inspira? De onde vêm não sei, nunca saberei. O fato é que elas me constituem en-sinam, des-tinam, desatinam. Sou seu veículo, seu canal. Se minha boca não dá conta elas transbordam em choro verso sonho delírio insânia.

Dói senti-las pulsando sob essa parede mole e viscosa que se enreda pelos poros, narina, olhos, ouvidos, membros, sexo.
Viram uma segunda pele, me protegem de sentir sem metáforas bebo delas, ouço seus sussurros em canto,
ainda que não lhes entenda o sentido de sua fala.

Ulisses às avessas
os fios que me atam são tecidos da saliva marinha desses estranhos seres sereias.

Estas palavras não passam de seus perdigotos.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

caracteres sem espaço disputam aos berros
seu espaço entre 80 disparos
palavras fantasmagóricas me apavoram
e a alma que late 
e não morde
morre aos espasmos
claustrofóbica
no ciberespaço

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Aragem


versar - do lat. uersus
abrir sulcos na carne
da terra
arejar a matéria escura

amaciar com saliva
nãos encalacrados
entre os nós dos dedos
ossos do ofício

dentre os orifícios da máscara
que sufoca mas não
cala
verter silêncio em grito
versar gemido em canto

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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Manhã de chuva
Origami de folha no pé de orégano 
Grilo temperado