– Papai, eu queria falar com o Paulinho.
– Ah, Pedro, o Paulinho não tá aqui. Ele foi pro céu.
– Então eu vou gritar bem alto: Ô Pauliiiinho!!!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
– Mamãe, eu sou muito pequeno, não sei nada ainda...
– Você, Pedro? Você é muito esperto, já sabe um monte de coisas!
– Não, eu não sei falar inglês, não sei estalar o dedo...
--------------------------------------------------------------------------
– Eu tô andando que nem você, mamãe!
– Como, devagarzinho?
– Não, mamãe... Assim, que nem pato!
– Você, Pedro? Você é muito esperto, já sabe um monte de coisas!
– Não, eu não sei falar inglês, não sei estalar o dedo...
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– Eu tô andando que nem você, mamãe!
– Como, devagarzinho?
– Não, mamãe... Assim, que nem pato!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Ingornizando
-Mamãe, agora eu vou ingornizar as coisas.
- O que, Pedro?
- É, eu vou ingornizar: você sempre vai me dar banho na banheira, e o papai, no chuveiro, tá?
- O que, Pedro?
- É, eu vou ingornizar: você sempre vai me dar banho na banheira, e o papai, no chuveiro, tá?
terça-feira, 2 de junho de 2009
Dadamascar
Estou vendo um episódio do House. No final, toca What a wonderfull world.
Vem o Pedroca: – Mamãe, quem canta essa música?
Eu: – Ahhn... é um moço que se chamava Louis, Pedro.
Pedro, com cara de sabido: – Nããããão, mamãe... Você esqueceu?
Eu, depois de alguns segundos: – Ah, é mesmo! Essa música é do...
Pedro: – Dadamascar!!!
Eu: – Isso. Mas quem canta essa música do Madagascar é o Louis.
Pedroca: – E o Lui gosta do Dadagascar?
Vem o Pedroca: – Mamãe, quem canta essa música?
Eu: – Ahhn... é um moço que se chamava Louis, Pedro.
Pedro, com cara de sabido: – Nããããão, mamãe... Você esqueceu?
Eu, depois de alguns segundos: – Ah, é mesmo! Essa música é do...
Pedro: – Dadamascar!!!
Eu: – Isso. Mas quem canta essa música do Madagascar é o Louis.
Pedroca: – E o Lui gosta do Dadagascar?
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Mais pedroquices (versão do pai)
Psiu... É segredo
– Mas não conta pra ninguém que eu tô usando cinto. Eu não quero ser grande ainda. (Ao estrear seu primeiro cinto.)
................................................................
Ihhh...
– Papai, olha o estádio do meu tênis! (Após ter pisado na lama.)
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Yara
Achei este texto lindo no blog http://claricelispector.blogspot.com, que nos dá o prazer indescritível de submergir nas águas de Clarice.
A perigosa Yara
Ao cair de todas as tardes, a Yara, que mora no fundo das águas, surge de dentro delas, magnífica. Com flores aquáticas enfeita então os cabelos negros e brinca com os peixinhos de escapole-escapole. Mas no mês de maio ela aparece ao pôr-do-sol para arranjar noivo.
As mães se preocupam com seus filhos varões, sabedoras de que a Yara quer noivos. Mas para os filhos, Yara é a tentação da aventura, pois há rapazes que gostam de perigo.
À medida que a Yara canta, mais inquietos e atraídos ficam os moços, que, no entanto, não ousam se arriscar.
Sim, mas houve um dia um Tapuia sonhador e arrojado. Pensativamente estava pescando e esqueceu-se de que o dia estava acabando e que as águas já se amansavam. Foi quando pensou: acho que estou tendo uma ilusão. Porque a morena Yara, de olhos pretos e faiscantes, erguera-se das águas. O Tapuia teve o medo que todo o mundo tem das sereias arriscadas — largou a canoa e correu a abrigar-se na taba. Mas de que adiantava fugir, se o feitiço da Flor das Águas já o enovelara todo? Lembrava-se do fascínio de seu cantarolar e sofria de saudade. A mãe do Tapuia adivinhara o que acontecia com o filho: examinava-o e via nos seus olhos a marca da fingida sereia.
Enquanto isso, Yara, confiante no seu encanto, esperava que o índio tivesse coragem de casar-se com ela. Pois — ainda nesse mês de florido e perfumado maio — o índio fugiu da taba e de seu povo, entrou de canoa no rio. E ficou esperando de coração trêmulo.
Então — então a Yara veio vindo devagar, devagar, abriu os lábios úmidos e cantou suave a sua vitória, pois já sabia que arrastaria o Tapuia para o fundo do rio.
Os dois mergulharam e advinha-se que houve festa no profundo das águas. As águas estavam de superfície tranqüila como se nada tivesse acontecido. De tardinha, aparecia a morena das águas a se enfeitar com rosas e jasmins. Porque um só noivo, ao que parece, não lhe bastava.
Esta história não admite brincadeiras. Que se cuidem certos homens.
In: Clarice Lispector. Como nasceram as estrelas – Doze lendas brasileiras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
A perigosa Yara
Ao cair de todas as tardes, a Yara, que mora no fundo das águas, surge de dentro delas, magnífica. Com flores aquáticas enfeita então os cabelos negros e brinca com os peixinhos de escapole-escapole. Mas no mês de maio ela aparece ao pôr-do-sol para arranjar noivo.
As mães se preocupam com seus filhos varões, sabedoras de que a Yara quer noivos. Mas para os filhos, Yara é a tentação da aventura, pois há rapazes que gostam de perigo.
À medida que a Yara canta, mais inquietos e atraídos ficam os moços, que, no entanto, não ousam se arriscar.
Sim, mas houve um dia um Tapuia sonhador e arrojado. Pensativamente estava pescando e esqueceu-se de que o dia estava acabando e que as águas já se amansavam. Foi quando pensou: acho que estou tendo uma ilusão. Porque a morena Yara, de olhos pretos e faiscantes, erguera-se das águas. O Tapuia teve o medo que todo o mundo tem das sereias arriscadas — largou a canoa e correu a abrigar-se na taba. Mas de que adiantava fugir, se o feitiço da Flor das Águas já o enovelara todo? Lembrava-se do fascínio de seu cantarolar e sofria de saudade. A mãe do Tapuia adivinhara o que acontecia com o filho: examinava-o e via nos seus olhos a marca da fingida sereia.
Enquanto isso, Yara, confiante no seu encanto, esperava que o índio tivesse coragem de casar-se com ela. Pois — ainda nesse mês de florido e perfumado maio — o índio fugiu da taba e de seu povo, entrou de canoa no rio. E ficou esperando de coração trêmulo.
Então — então a Yara veio vindo devagar, devagar, abriu os lábios úmidos e cantou suave a sua vitória, pois já sabia que arrastaria o Tapuia para o fundo do rio.
Os dois mergulharam e advinha-se que houve festa no profundo das águas. As águas estavam de superfície tranqüila como se nada tivesse acontecido. De tardinha, aparecia a morena das águas a se enfeitar com rosas e jasmins. Porque um só noivo, ao que parece, não lhe bastava.
Esta história não admite brincadeiras. Que se cuidem certos homens.
In: Clarice Lispector. Como nasceram as estrelas – Doze lendas brasileiras. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
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