Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.
sábado, 20 de novembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
TPM de criança
Criança sabe das coisas mesmo. E eu estou vendo que, felizmente, meu filhão está crescendo esperto, saudável e nada machista. Ufa!
Dia desses, um DAQUELES dias em que a gente se pergunta o que há de bom e não sabe responder, eu, muito brava e mal humorada, briguei com o Pedroca. Sem motivo, sem razão.
O Zé Minhoca não é de briga, como ele mesmo diz. Ficou me olhando, quieto. Pasmo, eu acho. E saiu pra brincar com a Nanica.
Nada melhor que silêncio de filho contra uma injustiça nossa. Respirei fundo, chorei um pouco. E fui falar com ele:
– Pedroco, desculpa a mamãe. Eu tô muito chata hoje. Tô de TPM...
– Tudo bem, mamãe. Eu também tava de TPM quando você chegou.
– Ahahaha, você? Por quê?
– Ah... por causa da Yanni! Ela só quer ver Hi Five, tô assistindo isso o dia inteiro. Aí fiquei de TPM também.
É, o Pedroca sabe como combater TPM de mãe!
Dia desses, um DAQUELES dias em que a gente se pergunta o que há de bom e não sabe responder, eu, muito brava e mal humorada, briguei com o Pedroca. Sem motivo, sem razão.
O Zé Minhoca não é de briga, como ele mesmo diz. Ficou me olhando, quieto. Pasmo, eu acho. E saiu pra brincar com a Nanica.
Nada melhor que silêncio de filho contra uma injustiça nossa. Respirei fundo, chorei um pouco. E fui falar com ele:
– Pedroco, desculpa a mamãe. Eu tô muito chata hoje. Tô de TPM...
– Tudo bem, mamãe. Eu também tava de TPM quando você chegou.
– Ahahaha, você? Por quê?
– Ah... por causa da Yanni! Ela só quer ver Hi Five, tô assistindo isso o dia inteiro. Aí fiquei de TPM também.
É, o Pedroca sabe como combater TPM de mãe!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Mamíferos...
– Cachorro? – o vô pergunta.
– Mamífero!
– Galinha?
– É ave, né? Tem pena...
– E beija-flor?
– Ah... – Pedroca, indeciso – É mamífero, né?– Mamífero? Por quê?
– Ué? Ele não mama na flor?
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Alcoólicas
Hilda Hilst
(I)
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
Hilda Hilst
(I)
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Parafuso a mais ou a menos...
– Pedro, você almoçou na escola?
– Ah, papai, não almocei não. Tinha aquele macarrão que eu não gosto!
– Qual?
– Aquele de cabelo de Yanni...
– Ah, papai, não almocei não. Tinha aquele macarrão que eu não gosto!
– Qual?
– Aquele de cabelo de Yanni...
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