Papo domingueiro da Nani com o vovô enquanto ela preparava quitutes no seu superfogão cor-de-rosa:
- Que fogão lindo, Nani!
- É! Foi o Papai Noel que deu. Pra Nani.
- Que legal, né?
- É sim. E o que o Papai Noel deu pra você, vovô?
- Ah, ele me deu presentes muito lindos: o Pedro, a Yanni, o Bruno...
- Hããã... Mas a Nani não é brinquedo!
segunda-feira, 21 de maio de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Aventuras
Domingo de trabalho. Fico suspirando, mas pelo menos estou em casa, perto dos pequenos. Eles acabaram de tomar banho e o pai, louco para vê-los anjinhos, dormindo, propõe:
- Agora vamos ficar quietinhos, assistindo um desenho.
Os dois se sentam, comportadíssimos. Mas é só o Maia sair que o Pedro, serelepe, dá um pulo da poltrona e:
- Nani, você quer mesmo ver desenho ou... VIVER UMA AVENTURA??!!
- Desenho. - monossilábica.
- Ah, Nani, tem certeza?! Eu acho que você quer viver uma AVENTURA!!! - cheio de lábia.
- Tá bom, Pepê. Aventura!
A Nani pula da poltrona e se vira pra mim, que devo estar com aquela cara de mãe coruja, babando as crias. Ela derrama um sorriso dengoso e pergunta:
- Vamo também, mamãe?
- Aaaiii, Nani, eu não posso...
- Por que, mamãe? Ahhh, você é pequena...
- Agora vamos ficar quietinhos, assistindo um desenho.
Os dois se sentam, comportadíssimos. Mas é só o Maia sair que o Pedro, serelepe, dá um pulo da poltrona e:
- Nani, você quer mesmo ver desenho ou... VIVER UMA AVENTURA??!!
- Desenho. - monossilábica.
- Ah, Nani, tem certeza?! Eu acho que você quer viver uma AVENTURA!!! - cheio de lábia.
- Tá bom, Pepê. Aventura!
A Nani pula da poltrona e se vira pra mim, que devo estar com aquela cara de mãe coruja, babando as crias. Ela derrama um sorriso dengoso e pergunta:
- Vamo também, mamãe?
- Aaaiii, Nani, eu não posso...
- Por que, mamãe? Ahhh, você é pequena...
domingo, 22 de abril de 2012
Piladinha (?) - versão do Pedroca
Essa quem me contou foi o Pedroca:
- Mamãe, e ontem, a Nani tinha acabado de tomar banho. Aí, né, ela tava com aquela faquinha [de plástico], sabe?
- Hã, hã... E aí?
- Aí ela veio pra mim correndo e gritando: - Tô piladinha! Tô piladinha!
- Hahaha, essa Nani! Ela adora ficar peladinha, né?
- Ah, mas ela nem tava pelada, mamãe. Ela já tinha colocado a roupa!!!
- Ué? Num intindi...
- Eu também não tinha entendido: ela tava era gritando "Tô pilatinha!". Por que tava achando que era pirata!!! É doida essa Nani.
sábado, 21 de abril de 2012
Melusina
Encontrei a expressão literária do meu amor pela água.
"Vindo ao lago, a Melusina 'rompia com todas as formas destino social. Enchia a taça do nada da natureza. Fazia-se imensa no suicídio. Mas quando, banhada até o fundo do coração, ela reencontrava o mundo e a sua sequidão, sentia como se fosse a água do lago. A água do lago se levanta. Ela caminha.'"
(Jacques Audiberti, Carnage. Em Bachelard, Poética do devaneio.)
"Vindo ao lago, a Melusina 'rompia com todas as formas destino social. Enchia a taça do nada da natureza. Fazia-se imensa no suicídio. Mas quando, banhada até o fundo do coração, ela reencontrava o mundo e a sua sequidão, sentia como se fosse a água do lago. A água do lago se levanta. Ela caminha.'"
(Jacques Audiberti, Carnage. Em Bachelard, Poética do devaneio.)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Fim da jornada como apertadora de vírgulas na Fábrica de Livros Didáticos. Saio à rua e, em meio ao trânsito da grande Sampa, abro com ânsia pulmões e olhos para o horizonte um pouco mais amplo. E que sorte linda: a LUA. Cheia, plena, dançando no céu. Senhora do mundo. Flor da Noite. Selene. Adoyá. Luz do canto de Sherazade. Senhora da palavra da vida, encantando a morte.
E me ponho a devanear (mergulhada em Bachelard, em sua Poética do devaneio) sobre uma cena futura de um breve devir, espero. Pedroca, Nani, eu, Maia diante do mar, cabeça no colo da areia. Marcando o passar dos dias e das noites não apenas pela foice de Chronos (uma das muitas imagens do querido mestre Marcos Ferreira Santos que não me saem da imaginação), mas pelas marés, pelo mudar da lua, seu doce nascer-desabrindo-se à morte, pelo milagre dos peixes, pela migração dos pássaros.
Que doce caminhada até a costumeira estação de trem me proporcionou esse futuro imaginado. Tenho lido muito vocês, Bachelard, Manoel de Barros, Hilda Hilst... Somos imbuídos de poesia e de sonhos. Só é possível viver num mundo imaginado, creio eu. Calderón de La Barca, tens razão: "Toda a vida é sonho / e os sonhos, sonhos são".
Ah, linda Sophia de Mello, teu poema é para mim um canto doloroso, um canto de liberdade.
Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.
E me ponho a devanear (mergulhada em Bachelard, em sua Poética do devaneio) sobre uma cena futura de um breve devir, espero. Pedroca, Nani, eu, Maia diante do mar, cabeça no colo da areia. Marcando o passar dos dias e das noites não apenas pela foice de Chronos (uma das muitas imagens do querido mestre Marcos Ferreira Santos que não me saem da imaginação), mas pelas marés, pelo mudar da lua, seu doce nascer-desabrindo-se à morte, pelo milagre dos peixes, pela migração dos pássaros.
Que doce caminhada até a costumeira estação de trem me proporcionou esse futuro imaginado. Tenho lido muito vocês, Bachelard, Manoel de Barros, Hilda Hilst... Somos imbuídos de poesia e de sonhos. Só é possível viver num mundo imaginado, creio eu. Calderón de La Barca, tens razão: "Toda a vida é sonho / e os sonhos, sonhos são".
Ah, linda Sophia de Mello, teu poema é para mim um canto doloroso, um canto de liberdade.
Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Diversão
11h40 da noite, consigo fechar meu tão amado, sofrido, suado projeto de mestrado. Quase um parto. Saio gritando: Acabeeeei!!! Uhuuuuu!!!!
As crianças, espantando o sono das perninhas lépidas, vêm correndo solidárias pro abraço, pula-pulando:
– ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!! Ma-mãe!!! Ma-mãe!!!
Me sentindo a própria vencedora da São Silvestre, os olhos e o coração prenhes de amor por aqueles três rebentos (dois que preenchem minha vida há alguns anos e o que acabou de nascer na tela), ganho um beijo estalado da Nani, que me olha toda amorosa e pergunta:
– Mamãe, você divertiu, né?
As crianças, espantando o sono das perninhas lépidas, vêm correndo solidárias pro abraço, pula-pulando:
– ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!! Ma-mãe!!! Ma-mãe!!!
Me sentindo a própria vencedora da São Silvestre, os olhos e o coração prenhes de amor por aqueles três rebentos (dois que preenchem minha vida há alguns anos e o que acabou de nascer na tela), ganho um beijo estalado da Nani, que me olha toda amorosa e pergunta:
– Mamãe, você divertiu, né?
sábado, 24 de março de 2012
Gustav Klimt, O beijo. 1907-1908.
"O amor nunca termina de exprimir-se e se exprime tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado. Os devaneios de duas almas solitárias preparam a doçura de amar. [...] Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade."
(Bachelard, Poética do devaneio, p. 8)
"O amor nunca termina de exprimir-se e se exprime tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado. Os devaneios de duas almas solitárias preparam a doçura de amar. [...] Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade."
(Bachelard, Poética do devaneio, p. 8)
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