domingo, 24 de fevereiro de 2013

Pererequices da Nani

Tarde ensolarada na casa da prima Sassá, a criançada toda na piscina. De repente, a Raissoca dá o alarme: uma perereca!!! E a garotada sai aos berros: pernas e água pra todo lado.

A dona perereca, por certo, deve ter achado estranho, ou até graça, tamanho alarde com sua figura faceira e delicada de sílfide. Afinal, onde esses seres humanos desmiolados pensavam que deveria estar uma perereca com aquele calor escaldante senão numa água fresquinha, dando sopa por aí?

Eu, que me arrepio só de pensar em barata, mas simpatizo um bocado com rãzinhas, sapinhos e parentada, sem demora coloquei a pequeninha sobre a palma da mão:
- Ahhh, que drama, olha como ela é bonitinha! Tão verdinha!

A Nani, doida por bicho, veio se aproximando, de mansinho.
- Ahhh, que lindinha! Olha o olhinho dela... Tão fofinha... Como chama o nome dela, mamãe?
- Hummm... Perereca!
- Você perguntou pra ela?

O Pedroca rachou o bico.



domingo, 13 de janeiro de 2013

Felizaniveisálio do Pebro

Domingo à noite, a Nani mostrando as fotos do aniversário do Pedroca pro vovô:

- Ol(h)a, vovô. O felizaniveisálio do Pebro!
- É! O Pedroca fez 8 anos. Tá ficando velho...
- É! Que nem você, vovô!
- Hehehe. O vovô é só um pouquinho mais velho, Nani.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

João Cachoeira

    Na tarde dourada do sábado, pés arrastando calor, em direção à casa da querida amiga Rê, passamos pela rua João Cachoeira. Como as personagens de Graciliano Ramos, secos na tarde do sertão paulistano. O Pedroca logo se anima:
- Eba, mamãe! Tem cachoeira no fim dessa rua?!? (suor pingando pela testa)
- Ai, Pedro... Infelizmente não... Quem sabe um dia, muito tempo atrás, já teve uma por aqui? Eu não sei. Mas seria muito bom se tivesse, né?
- Já teve cachoeira em São Paulo?
- Já sim. Mas acabaram com todas...
- Nossa! Como conseguiram acabar com uma cachoeira?!?

 Fico feliz-triste, admirando... O olhar criança se volta ao mundo em sua atual configuração - pra gente tão banal, imutável, vazio de possibilidades outras - e se alumbra com suas brechas de poesia, se espanta com o canhão que não solta flores (como o Tistu de O menino do dedo verde) e delira com olhos, mãos, nariz, boca, ouvidos, inteiro, no brincar sério de criaginar um mundo novo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Esconde-esconde

- Vamo brincar de esconde-esconde, Nani?
- Vamo!
- Então conta!
- De novo, Pebro? Toda vezes!
- Vai, Yanni!
- Tá bom, tá bom! 1, 3, 6, 4, 9, 15....

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Exercício de florescer

o barro chama a mão
ela quer seu úmido segredo
de calar e florescer

formas em silêncio
palavras plenas
terra, água e claro medo

raízes que sugam
sustentam
a flor que abre ao céu

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Não é brinquedo, não!

Papo domingueiro da Nani com o vovô enquanto ela preparava quitutes no seu superfogão cor-de-rosa:

- Que fogão lindo, Nani!
- É! Foi o Papai Noel que deu. Pra Nani.
- Que legal, né?
- É sim. E o que o Papai Noel deu pra você, vovô?
- Ah, ele me deu presentes muito lindos: o Pedro, a Yanni, o Bruno...
- Hããã... Mas a Nani não é brinquedo!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Aventuras

Domingo de trabalho. Fico suspirando, mas pelo menos estou em casa, perto dos pequenos. Eles acabaram de tomar banho e o pai, louco para vê-los anjinhos, dormindo, propõe: 
- Agora vamos ficar quietinhos, assistindo um desenho.
Os dois se sentam, comportadíssimos. Mas é só o Maia sair que o Pedro, serelepe, dá um pulo da poltrona e:
- Nani, você quer mesmo ver desenho ou... VIVER UMA AVENTURA??!!
- Desenho. - monossilábica.
- Ah, Nani, tem certeza?! Eu acho que você quer viver uma AVENTURA!!! - cheio de lábia.
- Tá bom, Pepê. Aventura!
A Nani pula da poltrona e se vira pra mim, que devo estar com aquela cara de mãe coruja, babando as crias. Ela derrama um sorriso dengoso e pergunta:
- Vamo também, mamãe?
- Aaaiii, Nani, eu não posso...
- Por que, mamãe? Ahhh, você é pequena...